Signatários e chaves de segurança
Uma carteira Vela é um Safe, e um Safe tem proprietários. O seu pode ter até
sete, com limite de um: qualquer signatário sozinho pode autorizar uma
transação. Isso se escreve 1-of-n.
O que pode ser um signatário
Três tipos, e você pode combiná-los à vontade:
| Método | O que é | Exemplo típico |
|---|---|---|
| Plataforma | O autenticador integrado ao aparelho que você está usando | Face ID / Touch ID neste celular ou notebook, sincronizado pelas Chaves do iCloud ou pelo Gerenciador de senhas do Google |
| Aparelho por perto | Outro aparelho que você conecta escaneando um código | O seu celular assinando para o seu computador, pelo transporte híbrido do WebAuthn |
| Chave de segurança | Um autenticador removível, por USB ou NFC | YubiKey e outras chaves FIDO2 |
Os três são credenciais WebAuthn na curva P-256. Para o Safe, eles são indistinguíveis: cada um é um proprietário cuja assinatura o módulo de passkey da Safe confere on-chain do mesmo jeito. (A primeira chave é verificada pelo signatário compartilhado da Safe; cada chave adicional, pelo seu próprio pequeno contrato signatário, criado pela fábrica da Safe na primeira vez que a carteira é implantada numa rede.)
Quais tipos cada app aceita:
| App | Este aparelho | Celular por perto (QR) | Chave de segurança |
|---|---|---|---|
| Carteira web, extensão de navegador | Sim | Sim | USB ou NFC, pelo navegador |
| Desktop (macOS, Windows, Linux) | macOS e Windows | Sim | USB |
| Android | Sim (com os serviços do Google Play) | Sim | USB |
| iOS | Sim | Sim | YubiKey USB-C ou Lightning, firmware 5.8 ou mais recente |
A opção “este aparelho” do app de desktop (Touch ID, Windows Hello) e o suporte ao Windows em geral são recentes e menos testados que os outros caminhos; hoje, ali, um celular ou uma chave de segurança é a escolha mais confiável.
Uma chave de segurança pode ser o seu primeiro signatário, não só um backup. Se você prefere que a sua carteira nunca dependa de uma conta Apple ou Google, crie-a com duas chaves de segurança e guarde uma num lugar seguro. (Não dá para criar uma carteira cuja única chave não esteja sincronizada em lugar nenhum: o app pede uma segunda chave, porque perder aquele único aparelho seria perder a carteira.)
Por que eles são escolhidos na criação
Esta é a parte que surpreende as pessoas, então aqui vai o mecanismo, e não um pedido de desculpas.
O endereço da sua carteira é derivado do conjunto de proprietários. A Vela o
calcula com CREATE2 a partir dos dados de configuração do Safe — que incluem a
chave pública de cada signatário — antes de qualquer coisa ser implantada on-chain.
É isso que permite receber fundos num endereço que ainda não existe.
Para o endereço, a consequência é aritmética: um conjunto diferente de chaves é um endereço diferente. Adicionar outro signatário depois não ampliaria a sua carteira; calcularia uma carteira nova, num endereço novo, sem nada do seu dinheiro.
Por isso, a pergunta “posso adicionar uma chave depois?” tem duas respostas honestas:
- Antes de colocar fundos: sim — o endereço ainda não está comprometido com nada, então crie a carteira de novo com as chaves que você quer.
- Depois de colocar fundos: o endereço é onde está o seu dinheiro. O próprio Safe consegue trocar proprietários numa rede em que a sua carteira já está implantada — mas, em cada rede onde ela ainda não foi implantada, o mesmo endereço continua representando as chaves originais, então os conjuntos de proprietários iriam divergindo de uma rede para outra. Mantê-los sincronizados entre redes é possível — algumas carteiras inteligentes fazem isso —, mas a Vela não construiu esse recurso, então não oferece troca de proprietários. Planeje o conjunto de chaves na criação.
Do que isso realmente protege você
Perder um aparelho. Com mais de um signatário, um celular perdido é um transtorno: outra chave assina. Com um único signatário e a sincronização do sistema desativada, um celular perdido é uma carteira perdida — e é por isso que “a sua passkey sincroniza automaticamente” descreve uma configuração que você controla, não uma garantia que possamos dar por você.
Uma conta de plataforma em que você não confia mais. Se a sua passkey fica nas Chaves do iCloud ou no Gerenciador de senhas do Google, quem controla essa conta pode, em tese, usá-la. Uma chave de segurança fica com você e não é sincronizada em lugar nenhum.
E do que isso não protege, porque o 1-of-n corta para os dois lados:
adicionar uma segunda chave adiciona uma segunda forma de entrar, não uma segunda
tranca. Quem obtiver qualquer um dos seus signatários consegue assinar sozinho.
Mais chaves significam mais resiliência contra perda e mais superfície contra
roubo; essa é a troca, e a decisão é sua.
Se uma chave pode ter sido comprometida
Uma chave não pode ser removida. Se uma das suas chaves pode estar nas mãos de outra pessoa — um celular desbloqueado que sumiu, um código que alguém viu, uma conta Apple ou Google que você não controla mais —, transfira tudo para uma carteira nova, criada com chaves em que você confia. O endereço antigo continua podendo ser movimentado por aquela chave em todas as redes, inclusive fundos que alguém envie para ele depois.
Recuperar versus adicionar
São coisas diferentes, e a documentação as mantém separadas:
- Recuperação e login — voltar a uma carteira existente num aparelho novo, com uma chave que você já tem.
- Esta página — decidir, de antemão, quais chaves vão existir.