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Resumo
A Vela é uma carteira de contrato inteligente autocustodiada para redes EVM. Cada carteira é uma conta inteligente Safe controlada por uma passkey — uma credencial WebAuthn (P-256) guardada pelo sistema operacional do seu aparelho, criptografada de ponta a ponta e destravada com Face ID, Touch ID ou digital. Não há frases-semente nem chaves privadas para você copiar, guardar ou perder.
A Vela, a empresa, nunca fica com suas chaves nem com seus fundos e não pode movê-los, congelá-los ou confiscá-los. O app, o relay de transações e os serviços de apoio são todos código aberto e auto-hospedáveis. O que você precisa confiar se resume a contratos auditados, ao cofre de passkeys do seu sistema operacional e — só para disponibilidade — a um relay que você pode trocar ou rodar você mesmo.
Por que a Vela existe
A maioria das carteiras impõe uma troca:
- Carteiras com frase-semente colocam um segredo de 12 a 24 palavras na frente de cada usuário. É o ponto único de falha e um alvo constante de phishing.
- Carteiras custodiais tiram a frase-semente mas assumem a custódia dos seus fundos, trazendo de volta o risco de contraparte que a cripto deveria eliminar.
- Assinatura às cegas — aprovar hexadecimal que você não lê — virou norma no ecossistema inteiro e está por trás de boa parte das carteiras esvaziadas.
A Vela quer ser tão fácil quanto um app custodial mantendo você em autocustódia completa: sem frase-semente, sem custódia alheia e sem transação que você não consiga ler antes de assinar.
Princípios de projeto
- Autocustódia, sem exceção. As chaves nascem no seu aparelho e ficam com o serviço de passkeys do seu sistema, criptografadas de ponta a ponta. Os servidores da Vela só veem dados públicos.
- Verifique, não confie. A pilha inteira — app e os quatro serviços de backend — é código aberto sob licença MIT.
- Nada de assinatura às cegas. As transações são traduzidas em intenção legível onde existe descritor; chamadas desconhecidas são sinalizadas, não escondidas.
- Fazer menos. A carteira guarda ETH e ERC-20 e se conecta às dApps que você escolher. Menos código em que confiar, superfície de ataque menor.
Arquitetura
App Vela (iOS / Android / Web, uma base de código só)
• Passkey (WebAuthn P-256, serviço de passkeys do sistema)
• Montagem e assinatura da UserOperation
• Interface de assinatura legível (ERC-7730)
│ UserOperation assinada
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Relay Vela (ERC-4337, auto-hospedável)
• envia handleOps ao EntryPoint
• não consegue alterar nem forjar sua transação
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Chain EVM
EntryPoint v0.7 → conta inteligente Safe
O assinante WebAuthn verifica P-256 on-chain Modelo de conta
Sua carteira é uma conta inteligente Safe v1.4.1 (um contrato proxy) operada por abstração de contas ERC-4337 (EntryPoint v0.7), com o Safe 4337 Module e um assinante WebAuthn como dono da conta.
O endereço é determinístico e contrafactual: é calculado a partir da chave
pública da sua passkey via CREATE2 antes de qualquer transação ser enviada, então
você recebe fundos nele antes de ele ser implantado. A conta se implanta sozinha,
pagando do próprio saldo, na sua primeira transação.
Chaves e autenticação
A autenticação usa passkeys WebAuthn na curva P-256. A chave privada é gerada no seu aparelho e fica, criptografada de ponta a ponta, com o serviço de passkeys do sistema (Chaveiro do iCloud ou Gerenciador de senhas do Google), que a sincroniza entre seus aparelhos. Os servidores da Vela só veem a sua chave pública. Assinar exige uma verificação biométrica nova a cada vez — não há chave de sessão de vida longa. Todos os detalhes em como as passkeys funcionam.
Assinatura e fluxo da transação
- Montar uma
UserOperationERC-4337 para o seu Safe e estimar o gas. - Decodificar a chamada em intenção legível e mostrar para conferência.
- Assinar — depois da verificação biométrica, seu aparelho produz uma asserção WebAuthn sobre o hash da operação.
- Codificar a asserção como assinatura de contrato EIP-1271.
- Repassar a operação assinada ao relay, que a envia ao EntryPoint.
- Verificar on-chain — o Safe confere a assinatura P-256 on-chain pelo precompilado RIP-7212 antes de executar. O precompilado é requisito duro: não há verificador de reserva, e a Vela se recusa a habilitar uma rede sem ele.
O relay recebe uma operação já assinada. Ele não pode mudar destinatário, valor ou qualquer outro campo sem invalidar a assinatura.
Relay e modelo de gas
- O gas é pago do saldo da sua própria carteira — no token nativo da rede por padrão, ou numa stablecoin suportada onde o relay oferecer. A Tempo, que não tem moeda nativa, sempre liquida gas em stablecoins em dólar. Não há paymaster nem terceiro patrocinando — ou barrando — suas transações.
- O relay é a única fonte de verdade para o preço do gas. Ele cota a partir das condições reais da chain; a carteira mostra essa cotação e assina exatamente o que mostra.
- A cobrança do relay da Vela é deliberadamente simples: o total é o custo de rede mais a taxa de serviço do relay, com uma taxa mínima pequena em transações muito baratas. Uma parte vai para os validadores da chain; o resto paga o relay que mantém a infraestrutura e mantém sua conta de gas com saldo.
- A carteira mostra a taxa estimada antes de você confirmar — no ativo da taxa e na sua moeda de exibição — e o valor cotado, junto com o destinatário, faz parte do que você assina, então o relay recebe exatamente o que foi mostrado. Sem margem escondida.
- Cada Safe tem uma conta de relay dedicada (conta de gas) por chain, ativada por um depósito não reembolsável. Ela pode se esgotar com o tempo e precisar de nova ativação depois — ou seja, não é exatamente um depósito único.
O relay é uma dependência de disponibilidade, não de custódia: ele pode atrasar ou recusar, mas nunca alterar, forjar ou roubar. É código aberto e você pode rodar o seu — e, como o preço é cotado e mostrado em vez de escondido, até a taxa de um relay próprio ou de terceiros fica sempre visível antes de você assinar. Veja redes e taxas.
Assinatura legível (ERC-7730)
A Vela decodifica calldata e dados tipados EIP-712 com descritores ERC-7730 e mostra a intenção (Trocar, Enviar, Aprovar…), a substância (valores, endereços) e, sob demanda, os detalhes (nonce, prazo, calldata crua), com cores por risco. Quando nenhum descritor casa, a Vela mostra um aviso explícito de assinatura às cegas em vez de fingir que entendeu a chamada.
Redes
A Vela suporta 12 redes EVM — Ethereum, BNB Chain, Polygon, Arbitrum, Optimism, Base, Avalanche, Gnosis, Unichain, Tempo, Monad e World Chain — mais redes personalizadas. Uma rede personalizada só pode ser adicionada se já hospedar os contratos de que a Vela depende (o EntryPoint, os contratos Safe, o assinante WebAuthn) e o precompilado P-256 RIP-7212; a Vela confere antes de habilitar.
Modelo de segurança
O que a Vela não pode fazer:
- Mover, gastar ou transferir seus fundos — só a sua passkey pode autorizar o Safe.
- Congelar ou confiscar sua conta — o Safe é o seu contrato on-chain; a Vela não tem papel privilegiado nele.
- Assinar no seu lugar — cada transação exige uma asserção biométrica nova.
- Ver sua chave privada — ela nunca chega à Vela; só o seu aparelho consegue usá-la para assinar.
- Alterar uma transação depois que você assina — qualquer mudança invalida a assinatura.
O que «não pode congelar» não cobre: o token. Uma stablecoin com permissões — USDC, USDT e a maioria dos tokens lastreados em moeda — traz uma função de blacklist que o emissor pode acionar contra qualquer endereço, inclusive o seu. Esse poder é do emissor e existe em qualquer carteira onde você guarde o token; nenhuma carteira autocustodiada, Vela inclusive, pode tirá-lo. O que a autocustódia te dá é que nós não somos uma segunda parte que possa fazer isso.
No que você confia:
- Nos contratos Safe (auditados, muito usados) e no assinante WebAuthn que verifica sua chave P-256.
- No serviço de passkeys do seu sistema (Apple / Google) para proteger e sincronizar sua credencial.
- Nos provedores de RPC que você consulta (a Vela usa um conjunto de várias fontes com failover; você pode configurar os seus).
- No relay, só para disponibilidade — e você pode auto-hospedá-lo.
Ameaças consideradas:
- Aparelho perdido ou roubado — quem estiver com ele ainda precisa da sua biometria ou do seu PIN para assinar.
- Phishing / dApp maliciosa — tratado pela assinatura legível.
- Servidor da Vela comprometido — não dá capacidade de assinatura; o raio do estrago é serviço degradado, não perda de fundos.
- Risco de cadeia de suprimentos — mitigado por código aberto e auto-hospedagem.
Recuperação
Sua passkey é copiada pelo serviço do seu sistema operacional; em um aparelho novo, entrar com a mesma conta Apple ou Google a restaura, e sua carteira reaparece.
O modelo completo de recuperação, com seus limites honestos, está em recuperação e login.
Se a Vela sumir
Autocustódia significa que suas chaves e seus fundos não dependem de a Vela estar no ar. Os fundos vivem no seu contrato Safe on-chain, e o relay é código aberto e substituível.
Uma ressalva honesta: o WebAuthn prende uma passkey a um domínio de relying party
(getvela.app). Se esse domínio fosse perdido em definitivo, as passkeys presas a
ele precisariam de ajuda para funcionar em outro lugar — uma ferramenta capaz de
apresentar ao autenticador a relying party original. A Vela distribuía antes uma
extensão de navegador de nível desenvolvedor para esse caso e a retirou em setembro
de 2026; um caminho de recuperação para perda de domínio adequado ao público geral
continua sendo trabalho em aberto, e dizemos isso em vez de dar a entender que já
existe. O acesso on-chain independente também depende do suporte a P-256 (RIP-7212)
da chain de destino, que vem melhorando em várias chains.
Privacidade
Sem contas, sem e-mail, sem KYC, sem frase-semente para coletar. Os servidores guardam só a sua chave pública e um nome de conta escolhido por você (para a recuperação entre aparelhos), publicados on-chain por projeto. O conteúdo das transações não é registrado. O site usa analytics auto-hospedada e sem cookies. Veja a política de privacidade.
Verificabilidade e código aberto
Tudo é licenciado MIT e de código aberto — o app e os quatro serviços de backend (dados de chain, índice de passkeys, relay, taxas de câmbio), que você pode auto-hospedar (Configurações → Avançado → Endpoints de serviço). Leia o código em github.com/mondaylabsltd/vela-wallet.
Sem token
A Vela não tem token e não pretende ter. Não há nada para comprar, farmar ou especular. O gas é pago no ativo nativo de cada rede.
Status de auditoria e limitações
Os contratos Safe no centro de toda conta Vela são auditados de forma independente e testados na prática. A integração da própria Vela em volta deles não passou por auditoria independente de terceiros, e nenhuma está agendada por enquanto — uma auditoria profissional é uma meta para quando o projeto puder bancar, não um compromisso com data. Até lá a revisão é informal: o código é aberto e conta com membros capazes e interessados da comunidade lendo, além de revisão assistida por IA. Ajuda, mas não equivale a uma auditoria profissional. Trate a Vela como software em alfa e use valores que você se sinta confortável em colocar em algo tão novo.
Referências
- ERC-4337 — abstração de contas via EntryPoint
- EIP-1271 — padrão de validação de assinatura para contratos
- ERC-7730 — assinatura legível / descritores de dados estruturados
- EIP-5792 — agrupamento de chamadas da carteira
- RIP-7212 — precompilado para verificação de assinatura secp256r1 (P-256)
- WebAuthn / FIDO2 — autenticação por passkey
- Conta inteligente Safe v1.4.1