Por que criamos a Vela
Não saímos por aí querendo fazer mais uma carteira. Começamos com uma pergunta que nunca conseguimos responder direito:
Onde é que você deveria guardar doze palavras?
A resposta honesta é um print
Coloque no app de Notas e você está a um celular roubado de ter problemas. Escreva no papel e agora você tem que pensar em incêndio, água, mudança, colegas de apartamento, saco de lixo — e se o você do futuro vai lembrar onde ficava “o lugar seguro”.
Para muita gente, a resposta honesta é um print na galeria de fotos. Todo mundo sabe que é errado. Todo mundo faz assim mesmo — porque a resposta “certa” é difícil demais de manter no dia a dia.
Uma frase de recuperação é um segredo que precisa sobreviver a décadas de vida comum sem nunca ser copiado, fotografado, digitado no campo errado ou lido em voz alta para alguém muito prestativo do outro lado da linha. Para uma pessoa cuidadosa, isso não é um problema difícil. Para uma pessoa comum, é.
Aí as passkeys mudaram o que uma carteira podia ser
Usávamos a Base Account todo dia, e assinar com Face ID parecia óbvio de um jeito que a frase de recuperação nunca pareceu — menos como manusear material perigoso, mais como usar o resto da internet.
Mas quanto mais usávamos, mais esbarrávamos em limites impossíveis de ignorar:
- uma chave de recuperação gerada no navegador, em que você simplesmente tinha que confiar;
- nada de redes personalizadas;
- nenhum jeito de hospedar por conta própria;
- e o problema silencioso, que era o maior de todos: se o serviço sumisse, a carteira sumia junto.
Então construímos a versão de que queríamos depender.
O que a Vela é de verdade
A Vela é uma carteira com passkeys que pode ser inteiramente sua.
Sua passkey fica onde o seu aparelho já a protege — nas Chaves do iCloud, no Gerenciador de senhas do Google ou numa chave de segurança física que fica com você. Quando você assina uma transação, a Vela pede ao seu aparelho que assine; o aparelho assina e devolve só a assinatura. A Vela nunca vê a chave em si.
A maioria das carteiras ainda tem um momento perigoso, mesmo que breve: palavras na tela, uma frase de recuperação na memória, uma chave de recuperação parada numa aba do navegador. A Vela foi projetada para que esse momento nunca exista.
Deixamos a Vela de código aberto para que você possa conferir isso por conta própria, e auto-hospedável para que uma carteira que já existe continue funcionando sem os servidores da nossa empresa — com um limite, o domínio ao qual as suas passkeys pertencem, que o guia de auto-hospedagem explica junto com as formas de contorná-lo. E construímos sobre contratos Safe sem modificações, porque, quando o dinheiro é dos outros, o caminho sem graça e testado em campo é o certo — os mesmos contratos que já protegem bilhões on-chain.
A contrapartida que escolhemos
Ainda existe uma contrapartida, e escondê-la seria desonesto.
Com a Vela, a sua conta Apple ou Google importa, porque é nela que fica uma passkey sincronizada. Perca essa conta, ou apague a passkey, e não há frase de recuperação, nem redefinição pelo suporte, nem porta dos fundos.
Mas toda carteira de autocustódia pede que você escolha com qual risco prefere conviver. Uma frase de recuperação pode ser copiada, fotografada, roubada por phishing ou digitada no site errado à uma da manhã. Uma passkey é diferente: não há palavras para revelar, nem segredo para colar, nem site falso capaz de enganar você para que a entregue. O navegador só oferece a passkey a páginas do domínio verdadeiro.
E a escolha não é tudo ou nada. Uma carteira pode ser criada com até sete signatários, e qualquer um deles pode assinar sozinho — passkeys em aparelhos diferentes, um celular por perto que você conecta por QR code ou uma chave de segurança USB/NFC. Se você prefere que a sua carteira não dependa de nenhuma conta de plataforma, pode usar só chaves de segurança físicas — duas, porque uma carteira não pode depender de uma única chave que não é sincronizada em lugar nenhum. A única condição é o momento: o seu endereço é derivado do conjunto completo de chaves, então elas são escolhidas quando você cria a carteira.
É por isso que a Vela existe
Uma carteira sem frase de recuperação para esconder, sem chave de recuperação em que confiar e sem uma empresa que você precise torcer para continuar existindo para sempre.
Se você quer conferir as afirmações em vez de simplesmente aceitá-las: o whitepaper traz a arquitetura, Auditorias e problemas conhecidos lista cada contrato de que dependemos e o que foi ou não auditado, e todo o código está no GitHub.
A seguir: instalar a Vela.